quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Dor e a Delícia de Ser Mãe

A postagem de hoje é uma homenagem a todas as mamães recém paridas (ou operadas) como eu...

Sim, eu fico o dia todo conectada na internet, sabe por quê??? Não tenho tempo pra ficar ligando e desligando o computador, então ligo de manhã e desligo quando vou dormir. É, se eu saio, esqueço ligado também. Aí me perguntam: "mas como você consegue ficar na internet o dia todo com um bebê recém nascido?" Então hoje eu vou explicar!

Eu tenho uma casa relativamente pequena, o que aumenta o grau da bagunça e dificulta o espaço para organização. Tenho um esposo exigente (mas muito compreensivo) que está sempre muito ocupado (mas me ajuda sempre que pode) e precisa das refeições nos horários corretos e não posso simplesmente fritar nuggets e fazer purê de batata todos os dias. Ele está fazendo dieta, e isso inclui sucos naturais nas refeições, sobremesas leves (sim, ele sempre quer sobremesa) e água, bastante água gelada, pra ele e pra nós, nesse calor infernal. Tenho um filho de 4 anos, de férias e com muita energia e criatividade pra explorar, filho esse que está enciumado com o irmão que acabou de chegar, quer fazer tudo pra chamar atenção e qualquer atitude nossa de repreensão faz com que ele saia pela casa dizendo que não gostamos dele, tudo pra chamar atenção e fazer o que bem entende. Esse mesmo filho quer comer porcarias o dia inteiro e pra evitar isso eu preciso preparar seus lanches de forma criativa pra incentivá-lo a comer. Ele teve sua festa de 4 anos recentemente e ainda está deslumbrado com os presentes e isso faz com que eles fiquem o dia todo esparramados pela casa e a noite é aquela "resmungação" até que ele guarde tudo. Tenho uma cachorrinha linda que acabou de ter 3 bebezinhos, os quais ela abandona na caixa o dia todo e só vai lá com muita insistência, inclusive ela já rasgou metade da caixa e todos os tapetes que coloquei dentro. Essa cachorrinha quer ficar escondida dentro de casa e muitas vezes é quase impossível encontrá-la e levá-la para amamentar seus filhotinhos, eles choram, querem mamar, querem a mamãe por perto e eu, que já tenho o meu bebê pra cuidar, tenho também que cuidar dos dela, pra que não morram de fome, de frio, de solidão... durante o dia pelo menos, a noite ela colabora. Tenho um bebê recém nascido, que mama em livre demanda (quando ele solicita), faz cocô umas 5 vezes por dia, chora por motivos enigmáticos, tem necessidade da minha presença, do meu colo, da minha voz e do meu leite (e ai de quem disser que meu filho é manhoso... manhoso é marmanjo doente!!! Meu filho é um recém nascido se adaptando ao mundo exterior, tendeu???), ele também precisa de carinho, não é só trocar fralda, dar mamá, fazer dormir, não... se alguém disser que ser mãe é isso, pode ser mãe de um pé de alface, não de um bebê! Eu também vendo roupas infantis na internet (aproveitando, curta Castelinho da Criança no facebook =D) e eu, assim que as roupas chegam (nem vou descrever o que vem antes, porque não tenho trabalho com isso), preciso abrir, verificar as despesas, analisar se as peças estão perfeitas e em condições de venda, separar por marcas, tamanhos, cores e sexo... depois preciso fotografar cada peça, baixar as fotos, carregar na página de vendas, colocar legenda e fazer a propaganda do produto. Claro que além disso faço a propaganda boca a boca. Tudo isso leva no mínimo umas 3 horas e isso tudo é pra que antes de acabar minha licença maternidade eu possa ter meu próprio negócio engatado, pra não precisar deixar meus filhos com estranhos, nem meu bebê na escolinha e não ter que voltar a trabalhar numa escala maluca e cansativa que me afasta dos meus pequenos. E pra terminar, eu não sou só dona de casa, nem só mãe... eu sou mulher!!! Então preciso encontrar tempo pra fazer as unhas (tá que às vezes eu só jogo um esmalte clarinho, sem limpar nem nada, pra disfarçar), preciso tirar as sombracelhas, lixar os pés, usar uma cinta que me deixa muuuuito irritada (por isso quase nem uso), etc... etc... etc... não posso "embarangar" como diz a mulherada.  Isso sem contar que os dois filhos precisam de banho, precisam se alimentar em horários distintos, tem unhas que crescem e precisam ser cortadas (a do bebê cresce a mil por hora), tem orelhas que se não forem limpas acaba se mudando pra dentro delas uma plantação de couve flor, o mais velho cai, se machuca brincando, fica doente, tem diarréia...o caçula chora, quer mamar, depois quer chupetar... agora imagine tudo isso ao mesmo tempo!!!
Pois é, essa é a vida de mãe!!! Se dá vontade de entrar num buraco??? Não!!! Não dá tempo de ter esses tipos de vontade... e quando a gente pensa que vai deitar pra dormir (isso lá pras 2 da manhã) a cabeça começa a doer, o caçula já está com fome de novo e assim o próximo dia já está começando e a gente volta ao início, lá na parte em que a casa está uma bagunça, o marido com fome, o mais velho querendo uma brincadeira legal, a cachorrinha se escondendo embaixo da cama, o caçula chorando copiosamente e eu tentando pentear os cabelos.

E a gente ainda encontra tempo pra dar atenção para os amigos na internet, conversar a toa, receber visitas, abraçar uma amiga e rir da "desgraça" dos outros...

Ufa... cansei, só de lembrar!!!!  Agora quero ver alguém olhar na minha cara e dizer que eu não faço nada!!! Eu sou MÃE, e juro pra você, isso dá MUITO trabalho!!! Mas é o trabalho mais lindo, mais satisfatório que existe... não daria nenhum dia da maternidade nem em troca de ter de novo toda a vida de solteira!! Meus filhos são meu combustível... mas experimenta perguntar se eu não trabalho pra ver só!!! Humpf!!!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

EMANUEL - Deus Está Entre Nós!!!! (Relato de parto)


Por fim chegamos ao último capítulo da novela mexicana “Emanuel”!
Chegamos na maternidade a 01:00h da manhã do dia 10, com 6cm de dilatação e em TP ATIVOOOOO!!!

IoI   /o/ 

Mas por causa de um sangramento importante o plantonista não permitiu que déssemos continuidade ao parto normal. Entrei no CC às 02:00h, o anestesista fez a parte dele e logo começaram os procedimentos... me lembro do obstetra dizer que havia muito sangue, lembro também dele pedir pra chamarem uma médica pra ajudá-lo e eu perguntei se estava tudo bem, mas em coro me responderam “não!!” Comecei a me preocupar, eu lembrava de sentir a pressão nas outras cesáreas, mas dessa vez tinha algo muito diferente e de repente abri os olhos, estava com respirador e já eram 04:20h. Mas peraí... cadê o meu filho??? O anestesista me acalmou, disse que ele estava no berçário e estava bem. Mas como assim??? Meu filho nasceu e eu nem vi??? Pois é, perdemos o relato, então!!!

Bom, na verdade não perdemos o relato, porque a partir de agora vou contar como foi me tornar mãe pela terceira vez.

Logo em seguida eu apaguei outra vez e quando acordei novamente já eram 05:10h, a anestesia já havia passado e os 3 obstetras do CC estavam me olhando. Colocaram Emanuel em cima de mim e me levaram pra enfermaria. Eu nem tinha visto o rostinho dele ainda. Na enfermaria pegaram meu guri de cima de mim, vestiram a roupinha nele e deram ele pra eu cheirar, beijar, e admirar. Tão lindo, tão pequeno, tão perfeito!!! Eu queria saber peso, tamanho, apgar, mas acima de tudo eu sabia que ele estava bem, pois estava ali comigo. Em seguida pedi pra colocarem ele pra mamar, ele imediatamente começou a sugar o colostro que estava prontinho pra ele havia já alguns dias. Foi lindo, maravilhoso, inexplicável!!! Podemos ter uma dúzia de filhos, cada nascimento será sempre único. Fui tomada por um sentimento que não sei definir. Ter meu filho ali, juntinho de mim, sentindo o cheirinho dele, sem que nos separassem bruscamente... foi muita emoção! Ele estava ali... e ele era meu!!! Agradeci a Deus por tudo ter corrido bem e pela vida abençoada do meu menininho.




Emanuel nasceu às 03:08h do dia 10/11/12, com 3,280g e medindo 48cm... e eu me tornei mãe pela terceira vez, uma mãe completamente feliz! Durante os 3 dias de internação, várias vezes perguntei para minhas amigas acompanhantes (que aliás só posso agradecer de coração por terem deixado a vida delas de lado um pouquinho pra participar da minha) se elas achavam que ele estava amarelinho, tamanho era meu medo que ele tivesse que ficar internado. Quando a pediatra passou na segunda de manhã pra avaliar o Emanuel me deu um medo, medo dela descobrir alguma coisa que ninguém tivesse visto na gestação, medo de tanta coisa, dele ter que ficar lá. Depois da avaliação criteriosa ela assinou a alta dele e quando me vi ali, com meu filho no colo, perfeito, saudável e com alta pra ir pra casa, nem preciso dizer que chorei, neh?? Tirei aquela tonelada de peso das costas, joguei no chão e pisei em cima... Chorei aliviada, chorei emocionada, chorei de FELICIDADE!!! Chorei sim, porque Deus me deu de presente uma nova vida.

Pegar seu bebê que acabou de nascer e ir pra casa já é uma experiência sensacional por si. Mas ter a oportunidade de viver isso depois de ter levado pra casa um filho morto é simplesmente o máximo do limite da alegria e do alívio. É como ouvir Deus falando: “A culpa não foi minha, só quero que você seja feliz!” Mas peraí, Deus... eu nunca, NUNCA, achei que a culpa fosse Tua. Naquele momento passou um filme na minha frente, numa velocidade quase impossível. Revivi cada emoção dos nascimentos dos outros dois, senti novamente o cheirinho de cada um deles. Então comecei a arrumar as malas pra voltar pra casa, e dessa vez voltaria com meu filho nos braços. Um pouco mais tarde passou o obstetra e assinou a minha alta, agora sim, com ambas as altas assinadas, poderíamos ser felizes para sempre no nosso lar.



Quando saímos pelo corredor eu vi, lá no final, embaixo do sol quente, brilhando um rostinho sorridente. Era meu primogênito, esbanjando felicidade por nos ver e que veio correndo me abraçar dizendo: “Mamãe, eu senti tanta saudade!” (eu também senti, meu filho!) Imediatamente ele olhou no meu colo, viu o nenén e com uma carinha muito desconfiada ele disse: “Mamãe, o nenén vai poder ir pra casa com a gente dessa vez?” Eu não era a única que estava sentindo a emoção daquele instante, deu pra perceber, neh? Respondi apenas “Vai sim, meu filho!” e entendi naquele momento o quanto tudo que havia acontecido até ali teria afetado diretamente meu filho de 3 anos, sem eu nunca ter me dado conta disso.

Peguei meus filhos, entramos no carro e viemos pra casa. Depois da alta assinada, o segundo momento mais emocionante foi entrar no quarto, olhar todas aquelas coisas lindas, das quais muitas delas deveriam ter sido usadas e estragadas pelo Samuel, ali intactas, lindas, arrumadinhas e limpas.... só esperando seu novo proprietário que acabara de chegar. Coloquei Emanuel no berço, olhei pra cima e, com os olhos rasos eu agradeci a Deus, teria ajoelhado ali, não fosse a dor e o inchaço do pós parto.

Estou APAIXONADA, extasiada, completamente feliz com a chegada do meu menino. Só tenho cada dia mais certeza de que Deus olha por cada um de nós com tanto carinho que não importa quanto tempo leve, mas quando algo bom nos é tirado Ele sempre acha um jeito de recompensar.

E agora somos uma família completa... Papai, Mamãe, Felipe, Samuel e Emanuel... juntos ou não, somos uma família perfeita!!! E como diz a canção “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...”!



“Não tenho tempo pra mais nada... ser feliz me consome muito!” 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bolinhas de Sabão!

38 semanas!!! Ciclo completo!!!

Como o tempo passa rápido, nossa!! Há 8 meses atrás, fazendo exames de rotina pra inserção de um DIU, descobri que estava grávida. A princípio tive muito medo, medo de tudo... medo de reincidência de cardiopatia, medo de ruptura da cicatriz da cesária anterior (que havia sido 10 meses antes), medo de passar mal e morrer, medo de rejeitar o meu bebê, medo de tudo... MEDO foi a palavra que mais me fez companhia durante esses 9 meses, tenho que confessar. Mas ao mesmo tempo, nesse período, foi crescendo dentro de mim uma fé tão grande, um amor capaz de ultrapassar todos os limites já estabelecidos, um amor que me trouxe de volta a vontade de viver, de sorrir, de lutar por dias melhores. 

Samuel veio pra mudar as nossas vidas e mudou!!! Emanuel está vindo pra completar!!!

Foram 9 meses de repouso, praticamente de castigo em casa, muitas vezes sem poder pegar o Felipe no colo, tantas vezes ele me pediu colo e eu precisei sentar pra pegá-lo, muitas vezes ele quis brincar de pega-pega e não se conformava em correr sozinho, então ele se contentou em apenas brincarmos de bolinhas de sabão e essa foi a nossa brincadeira de todas as tardes desde então, sentada no portão de casa, fazendo bolinhas de sabão e ele correndo atras. Ontem, brincando com ele, fiquei olhando aquelas bolinhas e pensando "a nossa vida é uma bolha de sabão". Surgimos de onde parece impossível, de acordo com o sopro da vida vamos crescendo, brilhando, levantamos voo, depois apenas deixamos o vento nos levar, ultrapassamos muros altos, árvores grandes e empoderadas, o calor do sol... e então, num certo momento desaparecemos. Mas o importante não é até onde a bolha de sabão subiu, o quanto ela voou e nem quanto tempo ela aguentou as intempéries da natureza, o importante foi o brilho que ela trouxe, a alegria, o quanto ela nos fez desejá-la, e se ela deixou ou não que a alcançássemos. Aí descobrimos uma grande coisa, descobrimos que a nossa agonia em alcançar aquela bolha foi o que a fez estourar, porque ela não foi feita pra ficar em nossas mãos, mas pra voar longe, alto, enquanto houvesse água e sabão suficientes pra suportar a ventania. 

Nos próximos dias estarei dando ao mundo uma linda bolinha de sabão, que irá brilhar, voar alto, passear pelos jardins mais lindos, pelas florestas mais densas, mas que irá marcar a minha vida e morar eternamente no meu coração. 

Foram 9 meses de expectativa, de ansiedade e medo. Mas agora está tão pertinho que só quero ver o rostinho do meu pequeno, cheirar e abraçar muito. E só tenho a agradecer a todos os telespectadores da novela "Emanuel" que deverá ter seu último capítulo apresentado nos próximos dias. Mas essa novela, mesmo depois de acabar, continuará rendendo belas histórias e lindas cenas de amor por uma vida inteira.




Obrigada a todos que estiveram presentes nesse período tão importante pra nossa família. Agora iremos compartilhar com vocês apenas coisas boas e provarmos que o amor de Deus é capaz de nos dar presentes inesperados que ninguém mais poderia nos proporcionar. 

Que essa nova etapa da nossa vida seja mais um marco. E daí se eu tenho mais de um marco na minha vida??? Tenho história!!! E isso ninguém jamais vai poder me tirar!!!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Amor Além da Vida!

Hoje tivemos um dia de lembranças, como para muitas famílias. Dia de saudades, de lágrimas, de sensações... Algumas vezes é possível sentir o cheiro das situações que marcaram a vida da gente, hoje foi um desses dias, que foi possível sentir o cheiro daquele dia, do dia mais triste das nossas vidas.

Hoje, antes de sair para o cemitério, paramos pra conversar sobre o porque de irmos lá, o que nos fazia ir lá se sabemos que nosso pequeno não está lá. Apenas seu corpinho descansa naquele lugar, mas ele não sabe, não vê e não sente a nossa presença. Ao menos é assim que acreditamos (pois os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa alguma!).

Então percebemos que o que nos fazia ir até lá era a nossa consciência, a sensação de paz em mostrar que não havíamos esquecido o nosso menino. Mas peraí, é impossível esquecer um filho. Em nenhum momento, um dia sequer, conseguiremos esquecer do nosso Samuel. Nossa ida ao cemitério era apenas pra reafirmar isso pra nós mesmos, não faz diferença para ele, ele sabia o quanto era amado e esperado, sabia o quanto faria a diferença nas nossas vidas e sabia que estaria eternamente vivo dentro dos nossos corações, independente de continuar aqui ou não. E então enxugamos as lágrimas, levantamos a cabeça e decidirmos tentar deixar o nosso dia alegre, afinal nosso pequeno não iria nos querer tristes. E na verdade, tristeza por que? Tá, ele morreu, sim, nós lembramos disso, aliás, lembramos todos os dias, todas as horas, em todas as ocasiões. Mas ele deixou de sofrer, teve o descanso digno de um guerreiro como ele era, teve o sofrimento abreviado em uma súplica materna de sofrer no lugar do filho. Sim, Deus me ouviu e me privilegiou, quando eu fiz o pedido que toda mãe faz vendo seu filho sofrer, o de sofrer no lugar daquele filho, o de transferir para si todo o sofrimento e dor daquele ser tão amado. Deus me permitiu sofrer no lugar dele e se fui eu quem pediu isso, preciso entender que Deus não tirou o meu filho de mim, ele apenas teve compaixão do nosso apego e acatou o meu pedido.

E depois de conversarmos nós decidimos aproveitar o nosso dia da forma como gostaríamos de aproveitar se ele estivesse aqui. Cada família, cada pai e cada mãe age de uma forma, o importante é agir da forma que acalma o nosso coração e deixa nossa consciência em paz.

Nosso pequeno estará vivo eternamente pra nós em cada pedacinho da nossa casa, das nossas vidas e dos nossos corações. Não precisamos ir ao cemitério, onde só poderíamos levar flores, chorar pela limitação em não poder dar o brinquedo que ele poderia querer, a roupa que ele poderia precisar, a sandália com luz, o tênis com bolha ou a bola colorida. Chorar a partida dele, tão cedo. Chorar a ausência e a saudade que ele deixou, o vazio enorme nos nossos corações. Porque, na verdade, ele não deixou nossos corações vazios, encheu eles de amor antes de partir e com tanto amor que ele deixou nos ensinou que a vida e a morte andam sempre de mãos dadas e que a morte não tem a intenção de nos separar, apenas de nos ensinar que precisamos estar prontos para o grande reencontro!

Estaremos lá quando nosso coração pedir, mas não pra mostrar pra ele que não o esquecemos, e sim para mostrar pra nós mesmos que precisamos daquele momento pra sentirmos paz. Nosso pequeno jamais será esquecido. Jamais será substituído e sim, muitas vezes iremos chorar de saudades...


Mas Samuel está descansando... e nossos corações precisam fazer o mesmo!! Isso também é amor além da vida!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Esperança Renovada...

Meio Coração... e Uma vida por inteiro!!!
Era esse o nosso lema há 1 ano e 3 meses atrás, quando nosso Samuel entrou no Centro Cirúrgico.

No dia 20 de Maio de 2011 entregamos nosso menino na porta do Centro Cirúrgico para que Deus fizesse naquele momento o que achasse o melhor para todos. Infelizmente não temos capacidade nem sabedoria suficiente para compreendermos o que realmente pode ser melhor ou pior para nós, mas Deus sabe.
Quando descobrimos que nosso pequeno tinha um grave problema cardíaco nós decidimos que não importaria quanto tempo ele vivesse, ele viveria intensamente e deixaria lindas e marcantes lembranças em todos nós, para sempre.

Samuel veio, viveu apenas 42 horas, mas foram as 42 horas mais produtivas de toda uma vida. A vida dele foi curtinha, algumas pessoas nem consideram esse tempo como vida, apenas como passagem. Seja como queiram, mas ele viveu! E mais importante do que ele viver foi ele ter nos trazido a vida, a plenitude de todos os sentimentos, a plenitude do amor, da união, da alegria... a plenitude em valorizar as coisas e as pessoas! Quer um conselho??? Dê valor aos seus amados hoje, enquanto estão vivos, saudade não é motivo suficiente para que eles voltem! Temos muita saudade do nosso amadinho, nosso coração às vezes se dilacera de tristeza, mas sabemos que o sofrimento dele foi abreviado e ele foi poupado de muitas outras dores, assim como nós!


Hoje fomos fazer o ecocardiograma fetal do coração do Emanuel e para a plenitude da nossa alegria o coração dele é perfeito!!! Sabe quando você recebe uma notícia pela qual esperou toda a sua vida? uma promoção, ou um diploma, ou uma aprovação, qualquer coisa pela qual você tenha sonhado e que você tenha almejado mais que tudo até aquele dia? Sabe quando você recebe essa notícia em público e sai pelas ruas perambulando, com vontade de abraçar o mendigo na rua, o motorista do táxi que está no ponto ou a dona do boteco?? Sabe quando você sai de uma sala chorando de felicidade e nem liga se as pessoas acham que você está louco? Sabe quando você pega o telefone e não sabe pra quem ligar primeiro, pra dar a melhor notícia de todos os tempos? É muito, muito, muito melhor que ganhar na loteria!!! (pelo menos eu acho que é, nunca ganhei pra saber rsrs) Melhor que todo o dinheiro do mundo é saber que existe vida dentro de você, e vida em abundância, como diz o Santo Livro.

Quando peguei aquele laudo eu chorei, chorei de alívio, chorei de gratidão, chorei de alegria, mas principalmente chorei por me lembrar que aquele laudo era tudo que eu esperava ler na gravidez do Samuel, mas como Deus é perfeito, Ele sabia que eu precisava passar por um momento difícil antes, pra valorizar depois o momento feliz. Hoje foi um dia muito importante, hoje consigo entender o que era a VIDA POR INTEIRO que eu esperava receber do Samuel. Era essa, que eu vivo hoje, uma vida em sua plenitude...


"E nada vai conseguir mudar, o que ficou...
Quando penso em alguém, só penso em você e aí então, estamos bem!
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir nem tentar, agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa!"

E assim voltamos pra casa, com a alegria de uma vida inteira que durou apenas 42 horas, mas que agora retorna com uma outra vida, que tem um futuro lindo pela frente e fará de nós a família mais completa do mundo, do nosso jeito, mas seremos uma família completa! Afinal, não nos falta nada, Deus apenas acrescentou a saudade em nossos corações!

"E Aquele que começou a boa obra, será fiel para completá-la!"
Obrigada Papai do Céu!!!

sábado, 18 de agosto de 2012

Encontro Marcado!!!


Quando eu era criança, me lembro de ver algumas imagens com bastante frequência. Uma delas era particularmente intrigante, eu sempre via minha mãe chorar quando ela olhava aquela ilustração. Mas eu era ainda bem pequena, não entendia muito da vida nem das tristezas dela.
   Minha mãe teve a triste missão de enterrar 3 filhos!!! Por isso quando eu penso no tamanho da minha dor, lembro imediatamente dela, que com o coração dilacerado por 3 filhos falecidos ainda encontrava forças para cuidar dos outros 5. Minha mãe é minha heroína!
   Mas voltemos a ilustração a que eu me referia.
   Quando eu tinha já uns 6 anos, certo dia cheguei perto dela, quando ela estava chorando, e vi aquela imagem, parecia uma foto desenhada, linda, estava nas mãos da minha mãe novamente. Então eu perguntei porque ela chorava com aquela foto. Ela me respondeu: "Choro de emoção, porque nesse dia vou reencontrar os meus bebês de uma só vez." A imagem é essa:




  

   Hoje, muitos anos depois, eu reencontrei essa ilustração e imediatamente me lembrei da minha mãe, com ela nas mãos, chorando. É eu também chorei. Chorei porque hoje eu consigo entender o quanto isso significa na vida dela, pois também significa na minha. Saber que o anjo da guarda do Samuel está lá, sentado sobre o túmulo dele, esperando a hora certa pra tirá-lo de lá e me devolver o filho que eu enterrei, é divinamente inexplicável. Tantos anjos em volta dos túmulos, aguardando apenas a ordem de Deus. Essa esperança mexe comigo, me faz lembrar de tudo que aprendi desde pequena, da importância de Deus na minha vida e do quanto eu o impedi de participar dela com mais frequência.
  Sei de uma coisa: Meu filho marcou um encontro comigo no dia que foi embora, ele estará lá, conforme o combinado, só resta saber se eu estarei. Se estarei preparada quando a hora chegar, se terei feito por merecer.
   Me desculpem os que acreditam que meu filho está vivo em algum lugar, em outra dimensão, outra vida, outro corpo, outro lugar qualquer... eu acredito que ele está lá, exatamente onde eu o deixei, dormindo! Acredito que como Jesus foi ressuscitado, meu filho também será. Acredito que tudo que acontece é providencia divina e que Deus é perfeito demais pra errar! E principalmente, acredito que a promessa de Deus "Virei e vos receberei para mim mesmo, para que onde Eu estiver, estejam também vocês" é real e Ele irá cumpri-la. 
   A maior vontade de uma mãe que enterrou um filho é ter o seu filho de volta e Deus nos prometeu isso, portanto, se até hoje eu confiei em Deus, não é agora que vou duvidar. Espero ansiosíssima pelo dia em que terei de volta em meus braços o meu filho que tanto amo. Mas agora perfeito, com um coração inteiro, sem nenhuma cicatriz e pra nunca mais nos separarmos. 
  Quero dizer aqui para as minhas amigas de dor, que a promessa de Deus é válida para todas, só precisamos garantir que estaremos prontas na hora certa, para reencontrar nossos filhos e tê-los nos braços, mas dessa vez será pra sempre.
  Não preciso me alongar, a imagem fala por si!!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia do Amigo!!!

O que seria de nós sem as amizades verdadeiras?
O que seria de uma mãe como eu, se não fossem os amigos ao redor?


Hoje é o Dia do Amigo e eu achei a data mais que oportuna pra agradecer aos meus amigos que durante os últimos 18 meses estiveram presentes na minha vida de uma forma que eu nunca imaginei que alguém pudesse estar. Fiz tantas amizades, conheci tanta gente, pessoas de tão longe se fizeram presentes na minha vida de uma forma tão intensa, tão real, tão próxima. Foi por causa dessas pessoas que eu consegui levantar, foi pela força que todos os meus amigos me deram que eu consegui me reerguer e hoje eu consigo entender isso e preciso agradecer a todos vocês.


Existem aqueles amigos que vemos todos os dias, mas que no final do dia não fez muita diferença a sua companhia. Existem os amigos que nunca vemos, mas que estão tão presentes na nossa vida como se fossemos vizinhos sem muro. Existem aqueles com quem falamos todos os dias sobre coisas banais mas nunca conseguimos abrir o coração e falar dos nossos problemas. Existem aqueles que sabem do nosso sofrimento e da nossa angústia sem precisarmos dizer uma palavra. Existem aquelas amizades que nasceram na euforia, que sempre queremos reencontrar mas nunca nos esforçamos pra isso. Já existem as amizades que nascem em meio a dor, essas, sem dúvida, são as mais sólidas. Existem as amizades virtuais, outras que já foram apenas virtuais e hoje vem na sua casa te visitar com frequência. Existem as amizades de infância, que nos lembram os melhores momentos da vida, os mais intensos, as lembranças mais saudosas, mas com quem já deixamos de ter tanta afinidade, pois o tempo se encarregou de nos afastar e nos colocar cada um no seu caminho e sempre são caminhos diferentes... essas amizades, ahhhh como é bom reencontrar! Existem as amizades da adolescência, que nos fazem lembrar das peraltices, do primeiro beijo, do primeiro buquê de flores, da primeira decepção. Essas amizades geralmente vão passando com o tempo e num reencontro, muitas vezes, dizemos apenas um "oi". Existem aqueles amigos que Deus escolheu pra nós, nossos irmãos, primos, sobrinhos... são amigos de verdade, outros nem tanto assim, mas são nossos amigos sempre, independente de qualquer coisa, sempre estarão ali pra nos dar um abraço ou um puxão de orelha. Existem dois amigos que nunca vão nos decepcionar, que dariam suas vidas por nós se fosse preciso, que ficariam com fome pra nos dar de comer ou deixariam de se vestir para nos aquecer com suas roupas. Esses amigos são PAI e MÃE, e nada que façamos ou pensemos jamais vai mensurar o tamanho da amizade, carinho e amor verdadeiro que eles tem por nós. Existe um outro amigo, esse o mais especial, o mais importante, o mais presente. Esse é DEUS!!! Nosso amigo para todas as horas, que consegue ver lá na frente e nos preparar pra receber o que virá. Um amigo que não tenta nos enganar com falsas alegrias, que nos mostra a realidade mas que é capaz de mudar qualquer coisa de lugar pra nos ver felizes. 


A TODOS os meus amigos, de hoje, de antes, de sempre... meu MUITO OBRIGADA!!!


Parabéns pelo dia de vocês! Obrigada por serem tão especiais e importantes na minha vida!


Uma nova etapa está se iniciando e quero junto com ela carregar todos vocês, pra sempre!

sábado, 7 de julho de 2012

As Dores Acabam!!!


Por Hilda Lucas - Publicado em 13/04/2008 no site Somos Todos Um.





É incrível, mas um dia toda dor acaba. É como acordar sem febre depois de noites de agonia. Você se pergunta distraída: Onde está a dor que eu deixei aqui? Foi embora, de repente, sem ser notada, sem alarde.

Um dia você percebe que alguma coisa parou de doer. Um dia você entende que não precisa mais daquela dor. Um dia você sente preguiça de sofrer e tem vontade de alongar a alma, estende-la ao sol.

As dores acabam por que a vida é maior e mais teimosa.

Quando se está no olho do furacão, no fundo do abismo, velando um ente amado, rolando na cama vazia, a dor parece eterna, presença maciça, definitiva, que tudo ocupa e devasta. Ela fica ali, sentada no sofá, servindo-se do jantar, pulsando na outra metade do leito, rondando sua intimidade, compartilhando sua rotina. Lê seus livros, vai ao cinema com você, amiga íntima, inseparável. Torna-se familiar, corriqueira. Essencial. Reverenciada. A dor é um dublê que ocupa o lugar deixado pela sua alma ferida, encolhida, retirada. Despojo de toda perda. Matéria feita de ausências.

Quando se está em dor, a frase que mais se ouve é: Vai passar... Nada como um dia após o outro ou então, O tempo cura tudo! Naquela hora, tudo soa ridículo, leviano, estúpido. Dá vontade de gritar, numa espécie de arrogância e vaidade às avessas: Você não conhece a minha dor. A minha dor é a maior do mundo e nunca vai passar!

Cuidado! A dor é aderente. Não se apegue demais, não se deixe seduzir. As sombras não protegem apenas escondem. Não se aprisiona a dor sem tornar-se prisioneiro dela. A dor pode virar um vício. Uma grande justificativa. Uma explicação respeitável. O inferno consentido. Um destino e não um caminho. O tumor alimentado com diligência. O veneno tomado solenemente.

A dor que não é doença tem prazo de validade. Cumpre um ciclo. É percurso, mal necessário, remédio amargo. Expurgo. Esconjuro. Depuração. Quando ela acaba deixa um vazio, um descampado que será aos poucos inundado pela sua alma alargada, reintegrada que se espalhará como maré alta e tudo contemplará.

As grandes dores parecem inesgotáveis, insaciáveis. Mas mesmo as dores indizíveis, aquelas das perdas impronunciáveis, as dores abissais que contrariam as leis da vida, mesmo essas um dia passam. Param de fisgar, de sangrar. Cansam, aquietam. Libertam-se de nós e viram cicatrizes, marcas, tatuagens.

É comovente e belo trazer no corpo e na alma as marcas das dores bem vividas. Nada mais natural que fazer as pazes com nossas dores. Deixá-las partir sem medo. Lembrá-las sem sobressaltos. Reconhecê-las. Afinal, “nós também somos o que perdemos"!!




sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Hora do Medo "2"

Hoje é mais um desabafo, me senti na obrigação de fazer isso por mim, de desabafar, de discutir e mostrar meus medos. 


Ontem fiz uma ultrassonografia para ver como está o Emanuel, ah sim, como eu havia esquecido de contar aqui, aí vem mais um menino, nosso caçulinha!! A ultrassonografia não era bem de rotina, era pra ver o sangramento que nos assombra desde o início da gestação. 


Durante o exame pude ver o quanto meu pequeno é forte, o quanto ele está bem. É muito ativo, ele não para nenhum pouquinho, chuta, pula, empurra, dá socos, cabeças e pontapés, é sempre maravilhoso ver que tudo está indo bem, mas ontem, em especial, foi ainda melhor, pois ele já está formadinho, lindo, deu pra ver até seus dedinhos com perfeição. 


Cheguei em casa com aquela imagem na cabeça, onde eu olhava eu via aquele monitor, ouvia aqueles batimentos e sentia ele mexendo. Mas de repente me bateu um medo, um certo desespero, coisa de mãe escaldada! Estou com medo, muito medo do meu filho nascer e eu não conseguir deixá-lo ter a vida dele. Sabem aquela história de filho de ator famoso que vai ser sempre o filho do ator famoso?? Então, meu medo é mais ou menos desse jeito.


Tenho medo de não deixar meu filho ter a vida dele e querer sempre que ele tenha a vida do Samuel, a vida que Samuel não teve. Tenho medo de chegar com ele em casa e querer, enlouquecidamente, ter de volta o Samuel e querer que ele ocupe aquele berço. Tenho medo que Emanuel seja parecido com Samuel e eu não seja capaz de diferenciar meus filhos. Tenho medo, muito medo, de sufocar a vida de um filho vivo e tentar colocar nele uma suposta vida, de um filho que morreu! Peço a Deus forças todos os dias e sabedoria para lidar com isso, mas é muito difícil separar as coisas. Cada filho é um filho, Emanuel não virá pra substituir o Samuel, virá talvez pra preencher o vazio que ficou e aliviar a dor, fazendo assim com que apenas a saudade permaneça. Mas não sei, neh?? Ele ainda não nasceu, não sei o que realmente ele vai nos trazer, só sei que trará alegria. 


O Felipe está eufórico com o irmão. Já desenha o bebê em todos os seus desenhos, diz que o neném é dele mas é convincente em dizer que no quarto dele o neném não vai dormir rs. 


Espero que esse meu medo passe e o Emanuel seja muito feliz, sabendo que teve um irmão que foi forte e guerreiro, mesmo que a guerra dele tenha durado pouco. E que eu nunca compare meus filhos nem nunca tente tornar a vida de um na vida de outro. Estamos na 19ª semana, na metade do caminho!!! Daqui em diante tudo passará mais depressa e tudo também será mais difícil. Mas o troféu por percorrer a caminhada será lindo e abençoado e nos trará de volta a alegria de um bebê nas nossas vidas!! 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Dia do Amor!!!

Vivendo no meio de crianças cardiopatas, de histórias de cardiopatias das mais variadas "espécies", eu pude entender que essa luta nunca terá fim!





Estou aqui, há aproximadamente 1 mês, divulgando, compartilhando e pedindo divulgação do Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita e sabem o que eu percebi??? Que existe PRECONCEITO!! Vejam bem, "pré-conceito" em relação aos cardiopatas. A grande maioria das pessoas preferem não se envolver, nem mesmo numa divulgação tão importante, por parecer um tema triste. TRISTE??? QUER SABER O QUE É TRISTE?? Triste é ver crianças morrendo TODOS os dias, por falta de atendimento adequado. TRISTE é ver bebês nascendo sem diagnóstico e correndo risco de morte enquanto esperam, numa fila quilométrica, por uma vaga para a cirurgia. TRISTE é saber que no nosso Distrito Federal, onde o dinheiro rola solto, temos hoje 5 bebês internados em estado grave e nem sequer estão numa UTI descente. TRISTE é saber que alguns médicos preferem esperar o bebê "engordar e crescer" pra operá-lo, mesmo sabendo que se o bebê não for operado ele nem vai chegar a ser um bebê dentro da faixa de nutrição aceitável. TRISTE é perceber que algumas pessoas acham que Cardiopatia Congênita PEGA!!!


Peraí... por que o meu filho morreu você, que é meu amigo, não pode me ajudar a divulgar a causa e salvar outros bebês?? E se fosse o SEU filho?? Poderia ser, viu?? Porque em cada 100 crianças, 1 nasce com cardiopatia congênita e poderia ser o seu filho, sobrinho, neto, bisneto, primo, afilhado, enteado... poderia sim, da mesma forma como foi com o meu. É triste ver que algumas pessoas acham que eu fiz alguma coisa muito errada pra "merecer" ter um filho com problema cardíaco que sofresse até a morte. Isso não só é triste, como é lamentável e ridículo!! Mas eu realmente mereci ter um filho cardiopata, porque só quem tem sabe e entende a bênção que é, o presente que é, a alegria, embora cheia de emoções, que é ver os progressos daquele filho, mesmo que seja por 5 minutos.Eu mereci, não porque fiz algo errado, mereci porque Deus achou que, assim como ele, eu também era especial e poderia suportar tamanha dor, tamanha luta, tamanha guerra e sair vitoriosa mesmo quando tudo ao meu redor quisesse me fazer sentir derrotada! Ver as pessoas agindo como se não fizesse diferença, e vejam bem, não estou falando das pessoas que não compartilharam o link, não, porque ninguém é obrigado a isso, estou falando das pessoas que viram o link, abriram, curtiram (ou não) e depois fizeram comentários totalmente desnecessários sobre aquelas crianças. É triste quando os calendários ficam prontos e ninguém quer comprar porque não querem fotos de crianças "doentes" em cima da mesa (ainda tenho quase 10 calendários em casa e não consegui vender). É triste ver que milhões de crianças morrem pelo mundo a fora por pura ignorância das pessoas, pura falta de conhecimento, falta de orientação, falta de curiosidade. Mas o mais triste de tudo isso é ver que no próprio meio médico existem profissionais que acham os exames pré natais, que possibilitam o diagnóstico precoce, desnecessários porque não escutaram nada de "anormal". Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver e a falta de interesse na vida das pessoas e dos seus bebês nos deixa bastante frustrados.


Estou desabafando hoje, não é a toa, não... não é porque estou revoltada... eu não estou!!! Estou apenas abraçando uma causa, mais uma vez, como farei para sempre! Abraço a causa das crianças cardiopatas como se todas fossem da minha família e sempre estou aqui pra ajudar no que eu puder, orientar até onde eu souber e abraçar, conversar, ouvir!!!


Meu Samuel tinha a cardiopatia mais grave que existe, a Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE), quando o lado esquerdo do coração não serve pra nada, não existe, é atrofiado... ele também tinha Válvula Unica, Veia Cava Superior Esquerda Persistente e DSAVT. Sim, era um "coquetel" de cardiopatias, sendo 3 delas muito graves. Mas ele foi 1 em 100!!! Ele fez parte do 1% dos bebês que nascem cardiopatas e teve a chance de fazer parte também dos 32% que recebem atendimento correto! Agora você me pergunta: E os outros 68% que não recebem atendimento adequado?? MORREM!!! A maioria deles morre sem sequer receber diagnóstico. Muitas dessas mãezinhas nem sabem o nome da cardiopatia que o seu bebê tinha e outra nem chegam a saber que seu bebês era cardiopata, apenas recebem um laudo constando "choque cardiogênico" ou algo parecido.




ISSO PRECISA MUDAR!!!




Não é porque não é o seu filho que você não pode ajudar, ao contrário, você pode ajudar mais do que as mães que tem um filho cardiopata, precisando do cuidado e carinho exclusivo dessa mãe. O seu filho não vai se tornar cardiopata só porque você está divulgando essa causa!!!


Cardiopatias Congênitas ainda somam a maior estatística de mortes em neonatos. Já ouviram falar da morte súbita?? A maioria dos casos de morte súbita em recém nascidos tem a ver com cardiopatia congênita.


Amanhã, dia 12 de Junho, é o dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita e se você ainda não fez a sua parte para ajudar a salvar vidas, faça agora!!!


Precisamos exigir o Teste do Coraçãozinho em todas as cidades e estados do Brasil. Precisamos assegurar as gestantes de que elas terão direito ao Ecocardiograma Fetal mesmo que não haja nenhum indício de cardiopatia no bebê durante toda a gravidez. Precisamos fazer com que as gestantes entendam quais são os seus direitos e os direitos dos bebês e só assim começaremos a ter progressos. O Brasil tem ótimos profissionais espalhados por todos os lados, mas pra que eles salvem vidas, essas vidas precisam chegar até eles e é nisso que nós podemos ajudar!


Faça parte essa ajuda... faça parte dessa luta!!! Tenha orgulho de lutar por uma criança cardiopata que só precisa do atendimento correto pra ter a chance de sobreviver. Junte-se a nós!!!




12 de Junho é o Dia do AMOR - Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita!!!

sábado, 19 de maio de 2012

Samuel - 1 Aninho!!!




Hoje seria um dia de festa, com balões coloridos enfeitando o salão. Bolo, guaraná, docinhos, muitas fotos e  presentes. Mas Deus entendeu que a festa deveria ser adiada, por algum motivo que Ele ainda vai nos mostrar! 

Há 1 ano atrás eu recebia de Deus o mais lindo dos presentes, o presente que mudaria a minha vida para sempre. O presente que me fez entender que cada segundo da nossa vida é importante e deve ser vivido com a intensidade necessária para que seja lembrado eternamente.


Saí de casa com um bebê na barriga e outro no colo, no dia 14 de Abril de 2011, rumo a São Paulo, a cidade a que eu costumo me referir como " Cidade da Esperança". Saí com a força que me determinava a mover mundos e fundos para ajudar o meu filho e com a coragem que me dizia que tudo daria certo. Tamanha era a minha fé que eu nem cogitava a possibilidade de algo dar errado, embora tivesse total consciência de que isso era muito provável. Mas eu pensava positivo, até pra não surtar! Deus me deu tranqüilidade todos os dias, devo ainda frisar, TODOS os dias. Eu sabia que meu filho tinha poucas chances, mas em momento algum em me desesperei, entreguei nas mãos de Deus e confiei, afinal é isso que Ele espera de nós, que confiemos nEle e que tenhamos certeza de que Ele sabe o que é melhor.

Chegamos em SP, Felipe estranhou tudo, as pessoas, o local, a cama, a comida. Mas em 2 dias ele já estava se sentindo em casa, eu olhava pra ele e pensava “quem me dera ser tão prática assim”. Deus foi providenciando tudo que era preciso, ali tivemos experiências lindas e milagrosas, uma das maiores lições sobre o poder de Deus eu aprendi naquele lugar, com crianças que deixavam as melhores equipes médicas do Brasil de cabelos em pé, quase doidos, e em seguida mostravam pra eles quem é que mandava, claro que era Deus!! Houveram experiências tristes, muitas!! Foram muitas perdas e quando o telefone tocava no meio da madrugada, todas nós sentávamos na cama de uma só vez e ficávamos nos olhando, até alguém tomar coragem pra atender. E foram muitas ligações! Cada perda ali era como se um pedacinho da minha esperança também fosse embora, ver pessoas queridas, que já eram parte da minha vida, como se fossem da minha família, sofrendo, era dilacerante! Um abraço não seria suficiente nunca, mas era tudo que eu tinha pra dar!

Fiquei ali (na Associação de Assistência a Criança Cardiopata – Pequenos Corações) com o Felipe 35 dias, internei no HCOR as 05:30h da manhã do dia 19 de maio para me preparar para o nascimento dele. Que lugar maravilhoso!!! Cheguei no hospital e só conseguia sentir ali coisas boas, muita fé, um lugar aconchegante, confortável, meu esposo pode ficar comigo o tempo todo e isso me dava ainda mais segurança! As 7:00h a Dra Luciana passou na sala, conversou comigo e me disse que estaria me esperando no centro cirúrgico para a cesariana, logo a psicóloga passou, conversou um pouco com a gente, incentivou meu esposo a entrar na sala de parto comigo. Um pouco depois colocaram o cateter, colheram amostras de sangue e me pediram pra tomar banho. Quando eu já estava pronta, por volta das 09:00h, vieram me falar dos resultados dos exames de sangue e em seguida me levaram para a sala do pré-parto. Meu esposo foi comigo e aquilo me deixou mais segura e muito feliz! Fiquei ali no Pré Parto esperando mais um pouco, quando, lá pelas 10:00h, foram me buscar. Entrei na sala, uma equipe enorme me aguardava. Conversaram comigo e começaram os procedimentos. Anestesia, corte, cauterização. Tudo com muita tranqüilidade, eu estava bem. Logo comecei sentir dificuldade pra respirar, a pressão subiu um pouco e aumentaram o oxigênio, mas eu estava calma, então logo tudo voltou ao normal. Meu esposo foi chamado, sentou numa cadeira ao lado da minha cabeça e ficou conversando comigo e narrando tudo que acontecia. De repente eu senti que fizeram uma força extra, puxaram alguma coisa e então meu marido disse: “Nasceu!! Ele é tão lindo e tão curtinho!” (Felipe nasceu com 51cm e Samuel com 45cm, realmente era bastante diferença RS). Eu não ouvia o chorinho dele, então fiquei perguntando ao meu esposo, que estava vendo tudo, se ele estava bem. Ele dizia que sim, mas isso não me conformava, que queria ver o meu filho. Então colocaram ele na balança, onde mediram apgar, fizeram aspiração e então ele chorou, baixinho, mas chorou pra mamãe =]. Era mesmo curtinho meu moleque, um cisquinho de gente, mas era tão lindo!! Tinhas umas pernas grossas, embora tivesse nascido com 1kg a menos que o Felipe, a falta de tamanho compensava e ele era bem gordinho. Finalmente meu milagre estava ali, chorando e sentindo o meu cheiro. Trouxeram pra nós, meu esposo o pegou nos braços, depois trouxeram pra mim, beijei aquela cabecinha cabeluda, cheirei bastante e então o levaram. Eu havia me preparado pra essa separação por tanto tempo e acabava de descobrir que não estava preparada coisa nenhuma! Quando levaram ele pra UTI eu não sabia como ele estava, ainda iriam fazer os exames pra saber como o coração dele estava, mas ele era rosa, respirava com facilidade, não tinha nem as unhas roxinhas, dava vontade de levantar da mesa de cirurgia (como se fosse possível) e sair correndo dali com ele no colo. Ele era perfeito!!! Fecharam a cirurgia, meu esposo saiu da sala e voltou para o quarto, eu fiquei na sala de pós operatório até a anestesia passar e depois também fui para o quarto, cheguei no quarto as 13:15h e logo o Felipe chegou com a minha sogra, em seguida o meu esposo chegou com uma amiga nossa que havia ido nos ver. As 14:00h era a primeira visita e eu fiz questão que elas fossem ver o Samuel, eu não podia ir, mas queria mostrar meu trofeuzinho pra quem tivesse oportunidade de ver. Voltaram me dando uma notícia tão boa, ele estava mamando na mamadeira, já havia feito xixi, sinal de que os rins estavam bons, e respirava sozinho! Finalmente respirei aliviada. É interessante a gente parar pra pensar que mesmo que os médicos, que são quem entende do assunto, nos disserem que está tudo bem, a gente só acredita quando uma pessoa leiga, mas que a gente confia, fala que está tudo bem. Uma enfermeira entrou no quarto e me disse que assim que eu pudesse me movimentar era pra ir ao banco de leite, tirar leite pra ele mamar. Fiquei tão feliz com essa notícia, ele iria mamar o leitinho da mamãe! Na visita das 17:00h meu esposo foi ver nosso milagrinho. Voltou orgulhoso, todo babão, com a carteira de vacina na mão! Disse que já tinham colocado o nome dele na cabine da UTI e que ele estava dando um show de boas notícias em todos os intensivistas. Isso me deixava cada vez mais confiante, ele estava bem, então ia ficar tudo bem. Na visita das 20:00h eu fui vê-lo, ai quanta emoção! Cheguei ao lado do bercinho dele, eu ainda não podia levantar da cadeira de rodas, mas foi maravilhoso ver o quanto ele estava bem. A enfermeira tirou o lençol que o cobria, estava só de fraldinha, e eu pude ver seu corpinho perfeito, todo coberto de pêlos, pra não negar a raça rs. Me trouxeram uma cadeira mais alta, pra eu ficar bem pertinho dele, e eu fiquei ali, admirando o meu milagre, a minha razão de ter enfrentado tudo e todos e, nossa, como eu sabia que cada minuto tinha valido a pena! Voltei para o quarto só alegria, mas logo vieram acabar com a minha festa. Me disseram que a cirurgia seria no outro dia, meio dia. Eu também havia me preparado pra esse momento por muito tempo e sabia que era necessário. Tentava pensar que ele estava ótimo, que iria tirar de letra e assim eu fui vê-lo na visita das 10 da manhã, depois de passar a noite pedindo a Deus pra cuidar do meu pequeno. Nunca me arrependi tanto de ter esquecido a máquina fotográfica, pois naquela visita eu peguei o meu filho nos braços e fiquei ali com ele, cantando e acariciando, por uns 50 minutos, talvez, não me lembro muito bem! Ele já estava em jejum, então a enfermeira me perguntou se podia dar uma chupetinha pra ele, pois ele estava com fome e a chupeta iria acalmá-lo. Eu achei o máximo ele segurando a chupeta com as duas mãozinhas, como se estivesse abraçando, e rapidinho pegou no sono, mas nem uma foto eu tirei dele ali, de bico na boca e no meu colo. Voltamos pra o quarto, depois do almoço foram nos chamar, era chegada a hora, e fomos levar nosso presente ao CC, ele estava lindo, com os cabelinhos ainda úmidos do banho, eu vi a enfermeira separando uma fraldinha, um lençol e a chupeta pra levar para o CC e aquilo me emocionou bastante, era eu que deveria estar separando as coisinhas dele, era eu que deveria estar arrumando uma bolsa, mas para irmos embora dali, para sempre, ao invés disso era uma enfermeira arrumando as coisinhas dele para levar para a cirurgia! Chegamos na porta do CC, trouxeram o termo de autorização para assinarmos e ali, pela primeira vez eu pensei: “E se eu não quiser assinar?” Mas logo lembrei do porquê de estar ali e eu sabia que não tinha mais volta, eu precisava assinar. Senti o cheirinho do meu bebê, beijei aquela mãozinha e orei com ele. Então o levaram e aquele corredor parecia o maior corredor em que eu já havia estado. Fiquei ali parada, esperando ele sumir do meu alcance, até que as portas se fecharam. Meus olhos não me deixaram ver mais nada sem que as lágrimas embaçassem tudo. Ali eu senti, pela primeira vez, o quanto eu era impotente diante de toda a situação. Eu sabia que meu filho ficaria semi-morto, numa cama fria, sendo cortado, costurado, perfurado por um monte de gente e eu não podia fazer nada, aliás, era eu que tinha levado o meu filho para aquele lugar. Mas eu sabia que tudo aquilo era preciso e mesmo em meio ao furacão de medo que eu sentia, eu ainda acreditava, tudo ia ficar bem! As 15:00h vieram nos avisar que a cirurgia havia terminado e ele estava bem. Juro que se eu não tivesse com tantos pontos, eu teria pulado de alegria. Mais do que depressa eu disse “quero vê-lo!” Nem perguntei se podia, eu precisava vê-lo. Assim, quando vieram chamar meu esposo para conversar eu fui também! Chegamos lá, a médica confirmou o diagnóstico dele, disse que a cirurgia havia sido muito bem sucedida, tudo estava perfeito, conseguiram fazer tudo o que era pra ser feito e eles estavam terminando de fechar o peito do Samuel. Voltamos para o quarto aliviados, com vontade de sair gritando aos quatro cantos o quanto estávamos felizes. As 17:00h teríamos uma visita, mas nos ligaram dizendo que estavam fazendo um procedimento num bebê lá na UTI e por isso não podíamos descer aquela hora. Ficamos esperando e as 18:00h nos chamaram e lá fomos nós, ver nosso pequeno. Eu sabia que não seria fácil vê-lo entubado, totalmente pálido, mas eu achava que estava preparada. Foi uma cena chocante ver Samuel ali, daquele jeito, deitado sem se mexer, respirando porque o respirador estava estimulando, com os batimentos fracos, saturação altíssima, pressão baixa, eu notei que algo estava errado. Então a médica veio conversar com a gente e nos disse que ele não estava bem, que depois que a cirurgia acabou, provavelmente depois que estivemos com a equipe, enquanto fechavam o peito dele, ele teve uma parada cardíaca. Ele estava grave, com adrenalina e talvez teriam que entrar com nitrogênio. Mas eu já havia visto e ouvido muitos pós operatórios antes e sabia que sempre eles davam notícias ruins nas primeiras visitas. Então voltei para o quarto com uma certa tranqüilidade, embora preocupada. Na visita das 20:00h a outra intensivista nos disse a mesma coisa, ele não estava bem, já haviam entrado com nitrogênio e aí eu comecei a realmente entender o que estava acontecendo. Ele não estava respondendo ao tratamento, nada fazia efeito e ele continuava muito mal, muito grave. Voltamos para o quarto e eu orei a Deus, implorei pra que meu filho ficasse bem, que eu queria trazê-lo pra casa, que eu queria que ele conhecesse o irmãozinho, que eu precisava dele do meu lado, não podia ficar sem o meu filho. E foi orando que eu dormi. As 2 da manhã a enfermeira entrou no quarto, acendeu as luzes e disse que a UTI estava nos chamando. Eu levantei da cama tão rápido que nem dor senti. Meu esposo vestiu um casaco e descemos, eu nem esperei a cadeira de rodas chegar, fui andando mesmo, e quando chegamos lá a médica nos recebeu com uma expressão de cansaço, de frustração, de tristeza. Ela nos disse que Samuel havia acabado de voltar de uma parada cardíaca da qual ela demorou 15 minutos pra trazê-lo de volta. E ela foi sincera e nos disse que precisava nos avisar, porque se ele tivesse outra ela não sabia se conseguiria de novo. Cheguei ao lado do Samuel, beijei meu filho e disse pra ele não dar susto assim na mamãe, que a mamãe era fraca, não agüentava isso, não. Falei pra ele que o irmãozinho dele estava esperando por ele lá fora assim que ele ficasse bem, que a família toda estava doida para conhecer o nosso milagrinho e ele precisava ficar bem. Mas eu via que os batimentos dele estavam caindo, a pressão também, e eu sentia que estava perdendo o meu filho. Meu marido não agüentava mais ficar ali e me chamou pra sairmos, dei um beijo no meu pequeno e saímos corredor afora. Quando pisamos fora da porta eu pude ouvir um apito, aquele apito de monitores de UTI que a gente costuma escutar nas novelas, quando alguém morre. Eu ouvi aquele apito e em seguida ouvi uma correria dentro da UTI, eu sabia que era algo com o meu Samuel, afinal, sua pressão de 3x2 não iria agüentar muito tempo. Mas eu não quis voltar pra conferir e fomos para o quarto. Deitei na cama, comecei minha oração do plano B, com a intenção de compadecer o coração de Deus, de mostrar pra Deus que eu não era egoísta, eu então disse a Ele pra não deixar o meu filho sofrer, que eu queria o meu filho bem e não sofrendo. Mas no fundo eu queria dizer “Deus, eu não quero o meu filho sofrendo, eu quero meu filho bem e o Senhor pode deixá-lo bem, então deixe-o!” Mas eu não podia ser egoísta a esse ponto, e só disse a Deus pra fazer o que fosse melhor para o meu filho, que meu coração de mãe agüentaria qualquer sofrimento, menos o de ver meu bebê sofrendo. Não sei quanto tempo fiquei ali, conversando e discutindo com Deus, mas então eu cochilei. Alguns minutos depois a enfermeira voltou, acendeu as luzes e nos disse que a UTI estava chamando de novo. Mas se eles já haviam avisado que o caso era grave, que ele estava muito mal, nos chamariam pra quê dessa vez?? Claro que eu já sabia. Lembro do meu esposo virar pra mim e perguntar “Será que está tudo bem?”. Eu apenas sacudi a cabeça, já chorando, por imaginar o que estava acontecendo lá e como a inocência desse pai, que ainda esperava uma notícia boa, iria reagir com uma notícia triste. Eu já saí do quarto me preparando para aquela notícia, já saí dali resmungando com Deus, mas saí dali ao mesmo com um alívio, como se pensasse: “acabou!!! O sofrimento dele acabou!!”. Chegamos na UTI e nem nos deixaram entrar, haviam duas equipes intensivistas na sala e uma das médicas veio nos receber no corredor e nos disse que ele estava parado havia 1 hora e ainda estavam tentando trazê-lo de volta, mas pediu que sentássemos na recepção e nos preparássemos para o pior. Naquele momento o mundo desabou na minha cabeça. Meu esposo ainda estava ali, sentado, esperando uma notícia boa, aquela fé dele estava me incomodando, eu estava com tanto rancor naquele momento que tinha vontade de sacudi-lo e dizer: “Você não entende que ele já morreu?”
Passados uns 15 minutos a médica saiu na porta, o olhar dela denunciava tudo, ela nem teve tempo de nos dizer nada. Eu olhei pra ela como se dissesse “eu não quero saber!!” Acho que ela entendeu! Mesmo assim ela nos deu a notícia, ficou ali parada alguns minutos, nos olhando, sentada ao nosso lado. O desespero do meu esposo tomou conta de toda a recepção. Eu nunca tinha visto ele assim, chorando como uma criança. Ele esmurrava a parede e eu não podia fazer nada! Eu também estava aos cacos. Por alguns instantes nos separamos e choramos nossa dor individual, em seguida nos abraçamos e ali ficamos, parados, apenas chorando, sem nos dar conta da hora, do lugar, de quem estava a nossa volta. Me disseram que iriam tirar os aparelhos dele para que eu pudesse vê-lo e eu fiquei ali esperando. Peguei meu telefone e liguei para a pessoa que me ensinou a ser forte, a pessoa que me ensinou a acreditar no meu filho, a pessoa que me mostrou que todos os obstáculos do mundo não são nada perto do poder de Deus. Acordei a minha amiga Márcia no meio da madrugada, assim como eu havia sido acordada muitas vezes na Associação, e dei a ela a notícia. Tudo que eu esperava era que ela pudesse me dizer que aquilo poderia ter sido um engano, que eles poderiam ter confundido meu filho com outro bebê, mas eu sabia que isso era impossível e ela não podia me dizer nada, nada... assim que desliguei o telefone, passados uns 10 minutos, duas amigas chegaram lá, duas mães batalhadoras, mães de verdadeiros milagres, mães que foram minhas companheiras, minhas amigas de verdade, em meio à luta, ao sofrimento, à dor. Ali eu senti que mesmo nos piores momentos da nossa vida Deus ainda faz com que algo bom aconteça. Eu não estava sozinha, nós não estávamos sozinhos! Tínhamos ali duas pessoas pra nos abraçar! O restante da história vocês já sabem, talvez eu conte de novo daqui a dois dias, quando fará 1 ano do falecimento. Mas por hoje eu posso dizer a vocês que Samuel foi a maior lição da história da minha vida! E sempre que eu me pergunto onde estava Deus quando viu que meu filho estava morrendo, a resposta me vem imediatamente: No mesmo lugar onde Ele estava quando viu o único Filho dEle sendo crucificado!!!


Faz 1 ano que minha vida mudou pra sempre e mesmo que eu viva mais 80 anos ainda vou me lembrar daquele cheirinho!

domingo, 13 de maio de 2012

Feliz Dia Das Mães Especiais!!





Uma vez visualizei Deus pairando sobre a Terra, selecionando o Seu instrumento de propagação com um grande carinho e compassividade. Enquanto Ele observava, instruía seus anjos  a tomarem nota em um grande livro:
"Para Beth Armstrong, um menino, e o anjo da guarda Mateus."
"Para Marjorie Foster, uma menina, e o anjo da guarda Cecília."
"Para Carrie Rudlegde, gêmeos e, para anjo da guarda, mande o Gerald; ele está acostumado com profanidade."
Finalmente Ele passa um nome para um anjo, sorri e diz:
"Dê a ela uma criança especial."
O anjo, cheio de curiosidade pergunta:
"Porque a ela Senhor? Ela é tão alegre..."
"Exatamente por isso. Como eu poderia dar uma criança especial para uma mãe que não soubesse o valor de um sorriso? Seria cruel."
"Mas, será que ela terá paciência?"
"Eu não quero que ela tenha paciência, porque aí ela com certeza, se afogará no mar da autopiedade e do desespero. Logo que o choque e o ressentimento passarem, ela saberá como se conduzir."
"Eu a estava observando hoje. Ela tem aquele forte sentimento de independência. Ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não vai ser fácil. E, além do mais, Senhor, eu acho que ela nem acredita na Tua existência!"
Deus sorri:
"Não tem importância. Eu posso dar um jeito nisso. Ela é perfeita. Ela possui o egoísmo no ponto certo."
O anjo engasgou:
"Egoísmo? E isso é, por acaso, uma virtude?"
"Se ela não conseguir se separar da criança, de vez em quando, ela não sobreviverá. Sim, essa é uma das mulheres que eu abençoarei com uma criança menos perfeita. Ela ainda não faz idéia, mas ela será também muito invejada. Sabe, ela nunca irá admitir uma palavra não dita, ela nunca irá considerar um passo adiante como uma coisa comum. Quando sua criança disser - "mamãe" - pela primeira vez, ela pressentirá que está presenciando um milagre. 
Quando ela descrever uma árvore ou um pôr-do-sol para seu filho cego, ela verá como poucos já conseguiram ver a Minha obra. Eu permitirei ver claramente coisas como ignorância, crueldade, preconceito e ajudarei a superar tudo. Ela nunca estará sozinha. Eu estarei ao seu lado cada minuto de sua vida, porque ela está trabalhando junto comigo."
"Bom, e quem o Senhor está pensando em mandar como anjo da guarda?"
Deus sorriu:
"Dê a ela um espelho, é o suficiente."


Texto: Autor Desconhecido

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A Árvore da Vida!!!

Hoje foi dia de homenagem na escola!



Dias das mães... eu sabia que não seria fácil! Ver meu pequeno lá, cantando e encenando em minha homenagem, seria emoção demais!!! Foi o primeiro dia das mães dele na escola e o meu primeiro também, e depois de tantas emoções no ano passado eu sentia que ia chorar um rio, até levei um lenço rs. 


Chegamos lá e as crianças começaram as apresentações, cada nível com sua turma e suas professoras queridas, todo mundo tão empolgado, lindas fantasias que as tias passaram dias planejando e fazendo, fantoches, teatrinho, danças, tudo lindo e perfeito! Do jeitinho deles estava tudo encantador!


Felipe entrou com sua turminha, estava empolgado com um fantoche na mão, a música começou e então... ele me viu... ahhhhhhhhhh filhoooo, por que você tinha que ver a mamãe antes da música??? Pronto, não cantou nada! Não encenou nada! Não fez nada!! Alias, fez sim, um bico do tamanho do mundo haha! Mas eu ainda estava lá emocionada, pedindo pra que ele cantasse. Eu juro que tentei me esconder antes que ele me visse, mas o rapazinho já entra no palco procurando por todos os lados e quando eu me escondi atras de alguém ele já tinha me visto e foi batata!! Se ele me vê fica tímido, típico de menino mimado como ele é rs. Tirei um monte de fotos, a apresentação terminou e todos voltaram pra salinha, pra devolver os fantoches. E eu fiquei babando, não ia ficar triste porque meu filho estava com vergonha de cantar, jamais! Fiquei orgulhosa dele lá, mesmo que feito uma estátua rs. 


Depois da turma do Felipe entrou a turma do Berçário, cada bebê no colo de uma tia, as tias todas se uniram pra carregar os bebês e o tema da apresentação dos pequeninos era "A Árvore da Vida". Uma música tão tocante, um clima tão gostoso! Os pequenos ainda não sabem cantar, então uma das tias leu um poema lindo, enquanto os pequeninos batiam palminhas seguindo o ritmo da música. Uma música daquelas que nos faz parar tudo que estamos fazendo e apenas ouvir, apenas deixar ela tocar o coração da gente.
Os pequenos se empolgaram, cada bebê levantava do seu lugarzinho e ia andando até uma árvore no meio do salão e lá deixava a sua "sementinha" com o nome da mamãe. Foi lindo ver aqueles toquinhos de gente fazendo as homenagens deles.


De repente, lá nos fundos, beeem lá nos fundos da pequena multidão, eu vi que uma mãe chorava copiosamente, aquilo me incomodou um pouco, mas eu entendo o sentimento da mãe que está vendo seu filho se apresentar pela primeira vez e continuei observando as crianças. Mas ela não parava, ela chorava alto, ela estava se desmanchando em lágrimas lá nos fundos e eu não estava entendendo direito o motivo. Claro que fiquei curiosa, a curiosidade é um dos meus defeitos e eu cheguei mais perto, não pra perguntar, mas tentar entender o que estava acontecendo ali. Então eu vi que aquela mãe não estava sozinha, ela estava acompanhada do esposo e de uma senhora que enquanto abraçava aquela mãe chorosa, sorria para as crianças. Foi fácil ver que o pai também estava emocionadíssimo e então eu pude ver ali, ao lado deles, duas bengalas!! Ambos, pai e mãe, são cegos! E tudo que eu imagino que aquela mãe estava fazendo era tentando imaginar o que o seu bebê estava fazendo, mesmo que em silêncio, lá naquele palco. Ela ficou em pé, pegou a bengala na mão e saiu no meio das pessoas, foi andando com a senhora que a acompanhava atras, tentando chamá-la, mas ela não ouvia, ou se ouvia fingia que não e continuava andando. Ela foi seguindo até o palco, todos viram e ficaram imóveis, ninguém tentou impedir aquela mãe talvez porque alguns duvidassem que ela chegaria até a árvore. E quando ela estava chegando lá, no meio do palco, perto das crianças, todos pudemos ver um bebê se levantando, com mais ou menos 1 ano e meio e andando, ainda com um pouco de dificuldade, até os braços daquela mãe que ele sim podia ver! Era tudo que aquela mãe queria, ter certeza que seu filho a estava vendo, que ele sabia da sua presença e o quanto ele era importante pra ela. Aquele bebê estava ainda com a sua "sementinha" na mão, ainda sem colocar na árvore e ao invés de colocar lá ele a entregou para aquela que havia dado a ele o dom da vida, que mesmo com as dificuldades que ela enfrenta e com todas as suas limitações, afinal o pai do pequeno também é cego, ainda assim ela deu a ele a vida, ela era a verdadeira árvore da vida daquela festa! E foi impossível não se emocionar! 


A apresentação do Berçário terminou e os bebês voltaram para suas salinhas e eu pude ver no rosto daquela mãe a satisfação e a sensação de dever cumprido que só uma mãe que enfrenta tudo e todos por seu filho é capaz de expressar. E eu aprendi que quando eu reclamo que estou triste, quando eu digo que estou com problemas, eu devo apenas pedir a Deus forças pra continuar, pois pessoas nesse mundo enfrentam uma dificuldade diária, constante, e ainda assim continuam celebrando o dom do Amor e da Vida!!!


O dia das mães ainda não chegou, mas eu já ganhei o meu presente e aprendi minha lição!!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Saudade... mais do que nunca!!!!

Bom, já vou logo avisando que a melancolia está tomando conta hoje, então se você não quiser estragar o seu feriado com uma postagem triste deixe pra passar por aqui de novo daqui alguns dias, quando espero estar mais animada e ter coisas boas pra escrever.


Por hoje me atenho a dizer que um feriado longo como esse, com esse frio iluminado pelo sol e com um céu azul espetacular, só me traz saudade, só saudades!!! O último dia assim de que tenho lembrança, um dia como hoje, com céu azul sem uma nuvem sequer, um sol lindo brilhando, um vento gelado e um frio danado na sombra das árvores, foi o dia que enterrei meu pequeno, quase 1 ano atrás. Depois daquele dia eu sei que ainda fez frio, sim eu sei disso, mas juro que não me lembro!! Lembro de tão pouca coisa nos dias que se seguiram, a não ser pelo susto que passamos com o Felipe, nada mais eu guardei na memória. Decidi parar o tempo ali, imortalizar aquele dia pra me lembrar dele sempre que estivesse num dia parecido. Na verdade eu lembro dele todos os dias, mas num dia como hoje, eu posso até sentir o cheiro, o cheiro da terra gelada, das árvores soltando as folhas, o cheiro do vento gelado, das flores, do cd que tocava no carro que nunca mais foi ouvido. Sim, eu sinto o cheiro de tudo isso, o cheiro, o som, a vibração... tudo está aqui guardado esperando um dia como hoje para renascer dentro de mim. 


Não, hoje não é um dia fácil, e se hoje não é, não consigo ainda pensar como será o dia 19, quando meu pequeno estaria completando seu primeiro aniversário. 


Eu não costumo falar da minha tristeza, as vezes prefiro guardá-la só pra mim, acalentar a dor no meu coração pra me segurar nela quando precisar ser forte, e realmente ser!!! Eu procurei explodir, expôr toda a minha dor, nos dias seguintes da morte dele, chorei, gritei, me revoltei, como qualquer mãe faria, independente de qualquer coisa, foi isso que eu fiz pra quem sabe me ver livre depois, daquela dor imensurável, daquele amor que eu sentia, que parecia que ia explodir dentro de mim sem ter pra quem direcionar. Eu queria me ver "livre" de tudo aquilo e ao mesmo tempo queria tudo pra mim, pra sempre! Então procurei falar muito no meu filho, chorar toda a minha revolta, questionar tudo que eu tinha pra questionar, pra então ter a paz!! Sim eu sou uma mãe em paz, em paz comigo mesma, não me sinto culpada por nada em nenhum momento, sei que tudo foi feito da melhor forma e com tudo que pudemos, estou em paz por saber que meu filho não está aqui sofrendo, com possíveis limitações, restrições alimentares e físicas... é muito doloroso pra uma mãe ter que dizer não pra um filho quando ele pede uma guloseima e eu não precisei passar por isso! Não precisei levar meu filho pro centro cirúrgico de novo, não precisei vê-lo entubado outra vez. Mas poxa vida, era pra ele estar aqui, começando a quebrar minhas coisas, começando a resmungar, começando a puxar o rabo da Mel e talvez eu teria que correr com ele pro hospital por ter comido um grão de ração e engasgado com ele, ou por ter levado uma mordida do irmão mais velho que queria o brinquedo dele, ou por ter tido uma parada respiratória no meio da tarde, mas era pra ele estar aqui, era, era e era!!! Pena que não foi...


O que me deixa triste não é o fato de tê-lo perdido, isso foi, na verdade, um alívio pra ele e uma mãe se sente também aliviada quando o filho recebe alívio, seja ele qual seja. O que me deixa triste é exatamente o fato dele ter nascido com uma doença que ele poderia não ter tido. Que se não a tivesse, aí sim, ele estaria aqui hoje! E mesmo hoje, quase 1 ano depois, ainda é difícil não parar pra me perguntar "Deus, por que logo eu??? Por que o MEU filho??? Por que??? 


Dificilmente vocês vão me ver questionando Deus, Deus não tem culpa, mas Ele sabe dos motivos que eu ainda não consegui entender, só por isso eu ainda questiono, porque queria mesmo saber os propósitos de Deus pra vida da gente com tudo isso. Quem sabe um dia Deus me dá essa explicação pessoalmente e aí, com meu filho no colo de novo, eu vou entender tudo!


Por hoje só posso dizer que a saudade ta doendo lá no fundo, de um jeito que só ela sabe como machucar!

sábado, 7 de abril de 2012

Dia de Festa... Sem Festa!!!

Pois é!

Ontem teria sido um dia de festa pra mim, afinal foi mais um aniversário concedido por Deus!

O dia começou lindo, o sol brilhante, feriado pra ajudar. Mas cá comigo eu passei o dia guardando uma saudade infinita acompanhada de uma pitada de dor. Não, essa postagem não era pra ser triste, mas também não tem como não ser, reconheço!

No último aniversário eu fazia as malas, angustiada por uma viagem para um lugar desconhecido, um lugar considerado perigoso e de fato muito grande. Eu costumo chamar esse lugar de Cidade da Esperança, pois é pra onde vão as mães desesperadas, como eu era, atrás de vida para seus filhos. E lá elas realmente encontram, ou não! No último aniversário eu ainda procurava alguém para me acompanhar até esse lugar, minha angústia se resumia em como fazer pra levar um bebê de 2 anos enquanto ia ao encontro da vida de outro bebê que eu ainda carregava no ventre. Mas Deus providenciou tudo e lá fomos nós. Num ônibus sem ar condicionado, mas movidos por uma esperança sem tamanho.

Hoje, 1 ano depois, eu tenho outra vez no ventre um bebê que precisa de vida, precisa do meu carinho e tudo que eu já lutei pra fazer por alguém ele precisa que eu faça por ele. Então eu entendo que Deus me presenteou! Me deu de volta a mesma sensação do último aniversário, embora não soubesse o que teria pela frente, a esperança era no presente, no dia após dia, era assim que comemorávamos cada dia que terminava.

Ontem eu relembrei (não que esqueça nos outros dias) o quanto eu fui paciente com Deus, comigo mesma e com todo o processo que enfrentamos. Hoje eu entendo que isso não veio de mim, que também foi um presente de Deus e que como todos os outros aniversários Deus tem me presenteado com algo tão bom, mas tão bom, que no próximo aniversário eu sempre sou uma pessoa melhor que no anterior.

A saudade do Samuel me faz entender que Deus é perfeito! Pois por mais que o tempo passe eu consigo ter meu filho na memória como se ainda estivesse com ele nos braços! E cada ano que passar eu sei que vai ser assim... sempre assim!!!

domingo, 25 de março de 2012

A Alegria Está de Volta!!



Vim contar a vocês que tanto nos acompanham e que tanto torceram por nós, que fomos presenteados com uma nova vida. Um novo integrante da família vem aí e tudo que desejamos é que venha com toda a saúde do mundo!!!

Ainda é tudo muito novo, é como começar do zero. Os acontecimentos são ainda bem recentes e confesso que estamos um tanto preocupados, mas não poderia ser diferente, não é mesmo? 

Mas estamos MUITO FELIZES!!!! 

10 meses se passaram mas parece que foi ontem... a dor ainda é fresquinha e nos faz sentir como se tudo tivesse acontecido ontem... já a sensação de que o tempo passou voando, que é totalmente contraditória ao que a gente pensa que vai sentir, é a prova de que Deus está nos carregando em Seus braços, nos dando forças para passar dia após dia... 

De acordo com o Beta estou de 5 semanas, ansiosíssima pela primeira ultra para ver meu bebezinho lá, com o coraçãozinho batendo tão forte que vai me fazer entender que Deus é realmente PERFEITO!!! Deus esteve ao nosso lado todo o tempo, em momento algum nos abandonou, mas, quando Ele nos traz uma sementinha de esperança e alegria que nos faz entender toda a história desde o seu começo, só então conseguimos entender o porque de mesmo Ele nos amando ainda permitir que as coisas aconteçam. 

A notícia da gravidez foi um presente de verdade. Eu queria engravidar, queria outro bebê, mas havíamos chegado num acordo de que antes precisávamos nos recompor, nos levantar do tombo, pra então poder lidar com uma nova experiência. Porém Deus disse que era a hora, e quando Deus faz a gente não questiona, não é mesmo?? Até hoje sempre foi assim por aqui e não seria agora, diante de uma bênção desse tamanho, que as coisas iriam mudar!!


É como eu costumo dizer:

"Continuo amando e acreditando em Deus, mesmo quando os milagres que imploro não acontecem. Pois os milagres que imploro, e os pedidos que faço se baseiam em minha vontade. E Deus não está aqui pra me dar o que eu desejo, Ele está aqui pra me dar o que eu PRECISO!"


Obrigada pelo carinho que temos recebido de todos!!!

quinta-feira, 8 de março de 2012

8 de Março é o Nosso Dia!

    Hoje não é somente um dia dedicado às mulheres, esse dia tem um sentido, tem um motivo pra existir e ser celebrado. Acredito que nem todas saibam o que um dia aconteceu para que as autoridades providenciassem uma homenagem anual.
    No dia 8 de março de 1857 aproximadamente 130 mulheres, tecelãs, se reuniram em Nova Iorque num movimento de protesto contra as péssimas condições de trabalho em que eram obrigadas a permanecer. Algumas empresas exigiam 16 horas de trabalho diário e elas ganhavam cerca de 1/3 do que os homens ganhavam, pra fazer exatamente a mesma coisa que eles. 
    No entanto, durante a manifestação, as mulheres foram trancadas dentro da fábrica onde estavam e em seguida foi ateado fogo, matando queimadas todas aquelas mulheres.
    Em 1910, numa conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março seria um dia em homenagem àquelas mulheres e esse decreto foi oficializado pela ONU. Desde então temos nosso dia internacional!




Hoje, quando ia para o trabalho de ônibus circular, como sempre faço, reparei em algumas mulheres em especial. Mulheres mães, mães de filhos especiais, com deficiências físicas, motoras e neurológicas. Aqueles filhos tão lindos, alguns ainda muito pequenos, outros já adolescentes, mas todos com uma protetora ao seu lado. Fiquei ali parada, admirando a força, determinação, coragem e paciência daquelas mães guerreiras e decididas a enfrentar tudo e todos pelo bem estar de seus filhos. Mães estas que acordam de madrugada para que seus filhos não percam o horário da terapia ocupacional, ou simplesmente porque querem passar o maior tempo possível ao lado dos filhos. Algumas daquelas mulheres eram franzinas, com um semblante cansado, aparência triste, mas estavam lá, na luta diária pela vida de seus filhos. Aquelas mulheres me deram uma injeção de ânimo para começar o dia com um sorriso no rosto, humildade e bondade no coração. E é a todas vocês, mulheres especiais, que estendo minhas felicitações no dia de hoje. 

Ser especial não é apenas ter uma missão especial, ser especial é tornar especial qualquer missão que nos seja delegada!!


Parabéns Mulheres do nosso Brasil!

sexta-feira, 2 de março de 2012

Bem Vindo à Holanda

No dia que descobrimos que Samuel era especial eu fiquei apavorada. Tinha medo de tudo que meu filho teria que enfrentar, ele teria que ser muito forte, pois o seu péssimo diagnóstico o remeteria para uma vida instável, cheia de incertezas e que arrebataria um pedaço de nós para sempre! Hoje, desde que acordei, estou me sentindo da mesma forma como me senti naquele dia. É um sentimento estranho, um tanto de tristeza, outro tanto de medo, um pouquinho de insegurança e um caminhão de lágrimas. Foi assim, num dia como hoje, numa sexta feira, que descobrimos que nossa vida nunca mais seria a mesma. 


Alguns dias depois, uma amiga me mandou um link de um vídeo tão lindo, tão emocionante, que ela já havia me mostrado antes, mas que eu, talvez por não ter noção do quanto aquilo significava para ela, nunca havia assistido. Nesse dia ela mandou e com um sorriso tão lindo ela disse: "Bem vinda à Holanda, Li!" 


Não entendi muito bem o que ela queria dizer, mandei como resposta uma interrogação. Ela sorriu e me pediu pra ver o vídeo e eu assisti... ... ... Foi o vídeo mais lindo que eu já vi na vida, tão simples, mas tão perfeito!
Ele mexe com a minha alma inteira, com o meu coração e hoje mexe com a minha saudade! Ser mãe de um bebê especial me torna tão especial quanto ele. Mesmo que ele não esteja mais comigo para me dizer isso, eu sinto como se estivesse, pois em cada passo que dou, em cada palavra que eu digo, em cada cheiro que eu sinto, eu tenho de volta um pouquinho dos momentos mais lindos que passei ao lado dele. Não é porque Samuel não está mais aqui que ele deixou de ser especial, agora ele é especial de outras formas. Especial pra mim, para muitas pessoas que oraram, que ajoelharam pra pedir por ele. Ele é especial para Deus, que o trouxe pra me dar a lição mais singela, mais sublime e mais necessária que a vida poderia me dar. Meu pequeno soube, mesmo em tão pouco tempo, o quanto ele foi amado... e pra mim isso é o bastante!!


Segue o texto que me faz chorar com a alma...






BEM VINDO À HOLANDA 
por Emily Perl Knisley, 1987


Freqüentemente, sou solicitada a descrever a experiência de dar à luz a uma criança com deficiência - Uma tentativa de ajudar pessoas que não têm com quem compartilhar essa experiência única a entendê-la e imaginar como é vivenciá-la. 


Seria como... 


Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias - para a ITÁLIA! Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. O Davi de Michelângelo. As gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.


Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma suas malas e embarca. Algumas horas depois você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz:


- BEM VINDO À HOLANDA!


- Holanda!?! - Diz você. - O que quer dizer com Holanda!?!? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu sonhei em conhecer a Itália!


Mas houve uma mudança de plano no vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar.


A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente.


Logo, você deve sair e comprar novos guias. Deve aprender uma nova linguagem. E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes.


É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor, começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrants e Van Goghs.


Mas, todos que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália, estão sempre comentando sobre o tempo maravilhoso que passaram lá. E por toda sua vida você dirá: - Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado!.


E a dor que isso causa nunca, nunca irá embora. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.


Porém, se você passar a sua vida toda remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais sobre a Holanda.